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Primeira fase de consolidação estrutural da casa senhorial do século XVI

Palácio de Valflores

2 de fevereiro de 2020
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A primeira fase de consolidação estrutural da casa senhorial do século XVI envolveu a reconstrução de abóbadas e um trabalho de consolidação das paredes, garantindo a contenção deste edificado, que estava em avançado estado de ruína. Tratou-se de “uma fase de obra importante, que nos permite garantir que este edifício vai perdurar por mais cinco séculos”, assegurou a técnica municipal. A primeira fase da obra, com um valor estimado de cerca de 348 mil euros, beneficiou de um financiamento de 50% do Programa Operacional Regional de Lisboa 2014-20, Portugal 2020.

“Este projeto foi candidatado a fundos comunitários, sendo o investimento previsto nestas três primeiras fases superior a 1,2 milhões de euros. Certamente que haverá mais investimento a seguir, o qual tomamos como prioritário, porque se assim não fosse, este Palácio teria ruído ainda mais e dificilmente conseguiríamos recuperá-lo, pelos menos até ao ponto em que está agora”, começou por destacar o presidente da Câmara Municipal de Loures.

“A nossa perspetiva é que esta obra continue e que comecemos a pensar num futuro para este magnífico Palácio, que é tão importante do ponto de vista patrimonial, paisagístico e da história de toda esta zona saloia do concelho de Loures”, salientou Bernardino Soares.Seguem-se a segunda e terceira fases da obra – que preveem a reconstrução da cobertura, fecho de vãos de portas e janelas, bem como o restauro integral dos interiores e a proteção dos elementos arquitetónicos , mas ainda está por decidir o uso que se lhe vai dar. Quanto ao futuro, o autarca sublinhou que “este património tem valor e relevância e, como tal, não devia ficar circunscrito a uma utilização municipal.

Temos uma grande abertura para, com as entidades da Administração Central, encontrar uma solução, alguma instituição ligada à investigação científica, à história, ao património cultural, ou à preservação ambiental, que concilie a sua atividade com o tipo de edifício e espaço que aqui temos, com usufruto da Quinta por parte da população, dos visitantes e de todos os que aqui quiserem vir conhecer este magnífico monumento”. “Parece-nos que este é que tem de ser o caminho e não ficarmos apenas circunscritos a um projeto municipal, pois consideramos que este património tem uma relevância muito superior ao nosso concelho”, acrescentou Bernardino Soares.

Um espaço de cultura

No que respeita ao apoio do Estado, o presidente da Autarquia respondeu que “já trouxemos cá vários ministros da Cultura, mas isso não se traduziu em nenhum avanço por parte do Orçamento de Estado. Houve comparticipação, porque nós entendemos esta matéria como prioritária e pusemos nas prioridades de candidaturas a fundos comunitários.

Já que estamos a fazer este investimento, que o aproveitem para que tenhamos aqui uma instituição de referência nacional, que possa valorizar ainda mais este património que estamos a recuperar e que em breve será devolvido à população do concelho, da região e do país”.Em relação ao arranque das próximas duas fases da obra, Bernardino Soares anunciou que “será provavelmente durante este primeiro semestre. O concurso está a decorrer, o financiamento está garantido e, portanto, a obra decorrerá durante, pelo menos, mais um ano. Este é o período que temos para definir o que queremos fazer a seguir.

Todas as intervenções posteriores à recuperação irão ter em conta o uso que lhe queremos dar e é por isso que, neste momento, estamos a desencadear um processo de contactos com o Governo e as universidades para que se possa encontrar uma parceria que dê um bom futuro a este Palácio e Quinta de Valflores”.Recorde-se que este edificado é património municipal desde 2005, mas a preocupação da Autarquia data de 1980, altura em que ainda era propriedade privada.

Quando se fala deste edificado, fala-se também de um património com enorme logística, que usufrui de todo um conhecimento acumulado, de investigadores que ao longo dos anos se foram dedicando a esta causa.

A intervenção no Palácio e Quinta de Valflores tem sido muito participada pelo movimento associativo local, em especial na defesa deste património, congregando todos os seus interesses e saberes.Presentes nesta visita estiveram também o vice-presidente da Câmara Municipal de Loures, Paulo Piteira; os vereadores Tiago Matias e Ivone Gonçalves; o diretor do Agrupamento de Escolas de Santa Iria de Azóia, António Marcelino; Cristina Mendes, da Associação de Defesa do Património Ambiental e Cultural de Santa Iria de Azóia (ADPAC); o arquiteto João Vieira Caldas, investigador e parceiro nesta candidatura; e os arquitetos José Aguiar, Pedro Pacheco e o engenheiro João Ferreira, que integram a equipa técnica do projeto de recuperação do Palácio e Quinta de Valflores.

Casa senhorial do século XVIO Palácio e Quinta de Valflores localizam-se em Santa Iria de Azóia, e constituem um conjunto patrimonial quinhentista de inegável valor, mandado construir por Jorge de Barros e Vasconcelos, feitor do Rei D. João III na Flandres, depois de 1556. Trata-se de uma casa de campo senhorial, ou seja, uma residência civil, de configuração renascentista, apresentando na fachada sul uma loggia voltada ao Tejo.

A casa é constituída por  dois pisos, com a parte habitacional em cima e as arrecadações agrícolas em baixo. O salão grande liga a uma pequena capela e à ampla varanda, de onde hoje se avista o IC2.Este é um dos poucos exemplares deste tipo de edificações, não só no distrito de Lisboa, mas também no resto do país. O seu valor foi corroborado pela classificação como Imóvel de Interesse Público, em 1982, através de diploma que estabeleceu igualmente uma zona especial de proteção.

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