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Notícias | Atualidade

Escolas sem professores

Ano letivo mal planeado

6 de novembro de 2020
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A ATEP - Associação Todos pela Escola Pública critica Ministério da Educação por falta de estratégia e tardia disponibilização de meios às escolas. Encerramento de estabelecimentos de ensino por falta de funcionários não docentes, aglomerações junto aos portões e elevado número de alunos por turma são prova da incapacidade da tutela. Na Portela, concelho de Loures, havia mais de 30 turmas sem professores, um mês após o início do ano letivo.

A tardia ou ausência de disponibilização de meios e recursos às escolas é outra das grandes falhas apontadas pela associação. André Julião, presidente da ATEP, critica a tardia contratação de auxiliares de ação educativa,“essenciais para tarefas como a separação das entradas nas escolas, o que evitaria a acumulação de alunos e encarregados de educação nos portões, como se viu um pouco por todo o país, mal começou o ano letivo.”

E que levou, inclusive, ao encerramento de alguns estabelecimentos de ensino. “Fará sentido que um funcionário com Covid-19 leve ao encerramento de toda uma escola, deixando centenas de alunos em casa? Tudo porque não existe outro funcionário para o seu lugar?”, questiona o responsável da ATEP.

“Os assistentes operacionais são essenciais para controlar as entradas e saídas e os alunos nos intervalos. Quanto menos profissionais houver a controlar, maior a probabilidade de contágios entre alunos. É uma bola de neve. Estes profissionais são fundamentais e têm de ser valorizados e adequadamente remunerados. Caso contrário, as escolas não funcionam”.

No Agrupamento de Escolas da Portela e Moscavide, concelho de Loures, “por falta de funcionários, os bares de alunos e professores tiveram de ser encerrados, as papelarias só funcionam uma hora por dia e as reprografias apenas por marcação”, revela o presidente da ATEP.

E não é só. “À data de hoje (14 de outubro), e a título de exemplo, aqui bem perto da sede da ATEP, no Agrupamento de Escolas da Portela Moscavide, há mais de 30 turmas que ainda não têm todos os professores quase um mês depois do início do ano letivo. Muitos dos professores em falta são de disciplinas nucleares, como Português, História, Francês e Matemática”, conta André Julião. “O Ministério alega que muitos professores têm recusado horários. Mas, a verdade é que, em plena pandemia, sair da área de residência, por exemplo, do Porto ou Aveiro, para ir dar aulas na Grande Lisboa ou em Setúbal, e ainda ter de pagar do próprio bolso os preços exorbitantes de uma casa ou um quarto nestas zonas, muitas vezes sem sequer ter horário completo, é compreensível. O Governo não acautelou este cenário, que era previsível. Não se compreende como estes professores não têm direito a um subsídio de deslocação, como por exemplo os deputados da Assembleia da República têm”, sustenta o responsável.

“Aliás, em relação à proteção dos professores, não se compreende sequer como é que, em caso de Covid positivo numa turma, os alunos dessa turma sejam enviados para casa de quarentena e os professores desses alunos continuem a dar aulas a outras turmas sem sequer serem testados”, critica.

“Aquele que poderia ter sido o ano letivo melhor preparado de sempre, dado o tempo disponível e a experiência acumulada da primeira vaga, foi iniciado sem estratégia nem planeamento, deixando às escolas o ónus de criar soluções e planos B, sem rede, sem recursos e sem apoio”, avança ainda André Julião.

Até nas situações que supostamente estariam previstas, existem falhas clamorosas: horários que não promovem o distanciamento social, entradas e saídas feitas pelo mesmo local, medidas que limitam a utilização dos refeitórios, obrigando alunos a comer na rua, alunos forçados a almoçar dentro da sala de aula.

“Até a aglomeração de encarregados de educação à porta das escolas poderia ter sido melhor gerida com a ajuda da Escola Segura, não fosse o enorme desinvestimento que este programa tem conhecido nos últimos anos, onde, nalgumas freguesias, os agentes não têm sequer uma viatura para se deslocar de escola em escola, andando a pé ou de transportes públicos, quando existem”, defende o presidente da ATEP.

“Devo sublinhar que os nossos profissionais de educação têm sido excecionais no seu trabalho, respondendo com profissionalismo, uma dedicação extrema e procurando apagar todos os fogos que vão surgindo. Penso que mereciam uma estátua pelo trabalho que têm desenvolvido desde o início da pandemia”, remata.

Contactado pelo Notícias de Loures antes do fecho da edição, André Julião atualiza que “a situação melhorou um pouco. Faltam colocar quatro professores e há mais uma professora de baixa, cujas aulas têm sido compensadas com o auxílio da professora de apoio.

As duas assistentes operacionais colocadas na semana passada, uma pela C.M. Loures e a outra pelo Ministério da Educação, já se encontram ao serviço. Neste momento a situação relativamente ao agrupamento encontra-se mais estável, sendo a principal preocupação a escola secundária da Portela, que permanece com algumas assistentes operacionais de baixa, o que faz com que os bares dos alunos e professores, à semelhança da Gaspar Correia, se mantenham encerrados e as papelarias das duas escolas com horário condicionado.”

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