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Entrevistas

Entrevista ao Engenheiro José Trindade

"Trabalhar onde se vive é qualidade de vida"

4 de junho de 2019
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Engenheiro José Hilário Mendes da Trindade 72 anos

O Engenheiro Trindade como é conhecido no concelho de Loures é um dos grandes empreendedores da nossa terra. Conhecido pelos milhares de metros quadrados de armazéns industriais, virou-se para a floresta, área onde continua a investir.

Percurso

 

Foi desde sempre empresário e empreendedor?

Nem sempre empresário. Durante os primeiros cinco anos de atividade profissional, trabalhei por conta de outrem, como empresário trabalho há 41 anos.

 

Como define a sua atividade no concelho de Loures numa frase ou três palavras?

Para definir a opção por instalar a minha atividade no concelho de Loures uso 3 palavras “uma boa escolha”.

 

Em que ano iniciou a sua atividade como empresário?

Iniciei a minha atividade como empresário em 1978.

 

Para onde direcionou então os seus investimentos?

No início da minha atividade direcionei os investimentos para a área da construção de naves industriais.

 

Porquê o imobiliário industrial, quando a maioria dos empresários do setor se direcionavam para habitação?

Por um lado por entender que havia uma lacuna por preencher de espaços destinados a instalar pequenas e médias empresas industriais, os poucos existentes não estavam bem localizados eram caros e sem condições.

Por outro, por ter a ambição de contribuir para a dinamização da economia, criando estruturas onde as pequenas e médias empresas pudessem desenvolver-se, criar riqueza e emprego.

 

A grande lisboa tem capacidade para absorver mais armazéns industriais?

Sem dúvida que a grande lisboa continua a precisar de espaços onde as empresas possam instalar-se.

Se as empresas nossas inquilinas podem servir de barómetro, a ocupação dos armazéns situados na grande lisboa, atualmente ronda os 100%.

Continua a haver procura, nem sempre possível de satisfazer, dada a dificuldade/ morosidade na aprovação de novos projetos.

 

O que tem Loures a ganhar com a presença dos seus parques industriais?

Loures só tem a ganhar com a criação de emprego e riqueza e é isto que os nossos parques industriais potenciam.

Da instalação destes parques resultam benefícios económicos, sociais e ambientais,

porque uma região é tanto mais forte, dinâmica e competitiva quanto maior é a possibilidade dos habitantes desenvolverem as suas competências no concelho, evitando a deslocação para outras regiões ou mesmo a emigração e isso só é possível se tiverem oportunidades de trabalho.

Criar emprego no concelho é condição para atrair jovens famílias para aí se fixarem, dinamizarem económica e culturalmente a zona.

Permitir que os munícipes trabalhem no local onde vivem é proporcionar-lhes qualidade de vida, tempo para atividades lúdicas e culturais, para a família e para o descanso.

Da criação de riqueza no concelho também resultam benefícios ambientais, porque ao diminuir as deslocações para os grandes centros urbanos, reduz a poluição e o consumo de combustíveis fósseis.

Em suma criar emprego em Loures é torná-lo um concelho vivo e não um mero dormitório de Lisboa.

 

Como se refletiu nas suas empresas a última crise do imobiliário?

Todos os setores sentiram os reflexos desta última crise.

Ela não foi específica do imobiliário, mas sim uma crise financeira que afetou essencialmente as vendas, em todas as empresas, a venda de armazéns não foi exceção.

No entanto, como temos uma vertente dirigida ao arrendamento, essa funcionou razoavelmente.

Mantivemos uma taxa de ocupação razoável dos nossos armazéns, na maioria dos casos só possível graças à colaboração prestada aos nossos inquilinos.

Temos consciência, que o nosso sacrifício evitou o encerramento de algumas empresas e o despedimento de muitos trabalhadores.

Também nas nossas empresas mantivemos todos os postos de trabalho, não despedimos ninguém, temos uma boa equipa de profissionais que soube adaptar-se às novas realidades.

 

Qual a estratégia ou estratégias para atravessar e ultrapassar essa crise?

Uma das estratégias que nos permitiu ultrapassar esta crise foi complementar a atividade da construção/arrendamento não habitacional com a produção florestal.

 

A aposta publicitária das empresas do grupo trindade é reduzida. Porquê?

Embora consideremos a publicidade como uma importante ferramenta de promoção de empresas e produtos e a ela recorramos pontualmente quando necessário, a verdade é que temos tido a sorte de não necessitar de divulgar os nossos produtos, porque a divulgação tem sido feita boca a boca pelos nossos inquilinos, que nos recomendam.

 

O que diferencia os seus parques de armazéns dos dos seus concorrentes?

Localização – funcionalidade – preço e assistência, são os fatores que nos diferenciam.

 

Os espaços de logística e industriais em Loures ainda podem crescer?

Para crescer e tornar-se um concelho de referência, Loures, além das empresas tradicionais, tem de atrair empresas jovens e inovadoras, para isso tem de ter condições para as acolher.

Por isso sim, continua a haver espaço para a criação de novos polos logísticos e industriais.

 

Porquê a aposta na construção de armazéns de pequenas dimensões?

Procuramos responder às solicitações do mercado, oferecendo áreas compatíveis com a dimensão das empresas, a preços que estas possam pagar.

O tecido empresarial português é constituído maioritariamente por pequenas e médias empresas e são estas o nosso público alvo, daí que a maioria dos nossos armazéns tenham a dimensão adequada aos nossos clientes.

 

Como vê a atual gestão camarária?

No tocante à assistência às atividades instaladas tem funcionado bem de modo a proporcionar lhes a possibilidade do seu normal crescimento sem necessidade da sua deslocalização.

 

O que considera ser importante acontecer em Loures para que este concelho tenha mais desenvolvimento?

O empreendedorismo de base tecnológica seria bem vindo.

Empresas que apostem em soluções inovadoras, diferentes das existente no mercado, que permitam resolver os problemas das pessoas, em qualquer área das suas vidas, de forma mais cómoda, rápida e eficaz fazem falta em todo o lado.

Fomentar o empreendedorismo através de medidas concretas, apoiar pessoas e ideias, será talvez o principal caminho para alavancar o crescimento da economia de Loures.

 

Como se define como empresário?

Não me compete a mim fazer juízos em causa própria, apenas posso dizer que em toda a minha vida como empresário procurei fazer o melhor que sei e cumprir os meus compromissos.

Rodeei-me de bons profissionais, que têm sabido adaptar-se a novos desafios.

Depois a base de tudo é o conhecimento, a iniciativa, a perseverança e coragem para correr riscos.

Preparei-me, estudei e continuo a estudar de modo a conhecer profundamente as atividades a que me dedico e aquelas a que ainda quero vir a dedicar-me.

 

Investimento na Floresta. Porquê?

A construção civil e a floresta são áreas que me interessam especialmente e onde possuo alguns conhecimentos. A par da preparação académica o estudo e pesquisa constantes mantêm-me preparado para novos desafios.

Se inicialmente o setor florestal foi uma necessidade para complementar uma atividade em crise, atualmente é uma paixão.

A floresta é cada vez mais reconhecida como um espaço de importância fundamental para a manutenção dos valores naturais e para melhoria da qualidade de vida das populações.

A importância que atribuímos à floresta está muito longe de ser apenas estritamente económico.

A floresta sempre foi o fator mais importante do nosso planeta, pois sem ela não haveria vida especialmente para os animais, a que chamamos superiores e onde obviamente se inclui o homem.

A concentração de gases de efeito estufa foi e é uma camada protetora da terra, que ao longo dos milénios tem regulado a temperatura do planeta e que permite a expansão da humanidade no último período da era quaternária, precisamente no holoceno, especialmente depois da última glaciação.

Nos últimos 200 anos a concentração desses gases de efeito estufa aumentou consideravelmente e foi o homem que mais contribuiu para esse aumento e com ele a alteração do clima que se tem feito sentir.

A dita camada protetora constituída por vapor de água e gases de efeito estufa, sendo o principal pela sua quantidade o dióxido de carbono co2 e outros dois de grande importância, o óxido nitroso no2 e o metano ch4 fazem com que a radiação infravermelha emitida pela terra não se perca toda para o espaço e uma parte seja devolvida à superfície do planeta e permita a temperatura necessária para a nossa existência.

Se não a houvesse, a terra tornar-se-ia excessivamente fria, em cerca de 30ºc. Contudo como atrás referi, nos últimos 200 anos e especialmente depois da revolução industrial a produção de co2 tem aumentado consideravelmente resultante principalmente da queima de matéria orgânica especialmente de hidrocarbonetos para a produção de energia para o nosso conforto e necessidades básicas de locomoção, alimentação e outros.

Ora esta grande produção de co2 só pode ser combatida pela sua absorção na terra através da fotossíntese das plantas, pois é através desta que o co2 emitido não vai para as altas camadas da atmosfera e seja transformado em madeira, pois 6co2+12h2o=c6h12o6 + 6h2o+6o2 se repararmos as 6 moléculas de co2 mais as 12 moléculas de água da equação transformam-se em glicose que é a seiva bruta das plantas c6h12o6 e libertam durante a noite para a atmosfera 6 moléculas de água sob a forma de vapor que vai aumentar a pluviosidade nas regiões de maior área florestal, dando assim continuidade ao importante ciclo da água indispensável à vida e ainda libertam essas plantas seis moléculas de oxigénio para a nossa respiração e de todos os outros animais já atrás referidas.

Portanto a floresta além da importância enorme em termos económicos tem uma mais importante ainda, em termos ambientais que devemos considerar a todo o momento sempre que em todos os atos da nossa vida interaja com ela.

Esta aborrecida lenga lenga é somente para lembrar a importância da floresta.

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