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Entrevistas

Entrevista a Sérgio Godinho

45 anos do 25 de abril

6 de maio de 2019
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Em Loures, os 45 anos do 25 de Abril começaram a comemorar-se em março, com um conjunto de exposições e mostras documentais, a festa chegou ao seu auge na noite de 24 de abril, com o espetáculo Vozes ao Alto, no pavilhão Paz e Amizade, às 22h, tendo Sérgio Godinho como cabeça de cartaz.

O Notícias de Loures esteve à conversa com o artista, pouco antes de subir ao palco.

Tivemos oportunidade de perguntar qual seria o alinhamento para o grande espetáculo. Sérgio Godinho levanta o véu sobre o que teria preparado para a noite das comemorações:

“Algumas canções do Nação Valente e algumas canções mais antigas, inclusive algumas ligadas ao 25 de abril, uma chamada liberdade. E outras que serão indispensáveis. Também estão presentes várias vertentes musicais - a minha banda, o jazz, a Rita Red Shoes que tocará comigo, o coro também entrará, em palco…” O insuperável acervo de canções que escreveu e gravou desde que se estreou em disco em 1971 inclui alguns dos clássicos maiores da música cantada em português dos últimos 50 anos, passadas de boca em boca e de geração em geração como raros outros músicos nacionais conseguiram assinar. “O Primeiro Dia”, “A Noite Passada”, “É Terça-Feira”, “Com um Brilhozinho nos Olhos”, “Espetáculo”, “Cuidado com as Imitações”, “Lisboa que Amanhece”, “Liberdade”, “Coro das Velhas”, “Caramba”, “Dancemos no Mundo”, “Barnabé” para apenas citar algumas.

Cantor, compositor, escritor, ator (de teatro e cinema), Sérgio Godinho é, para citar uma das suas canções clássicas, o verdadeiro “homem dos sete instrumentos” contando com uma carreira artística de invejável longevidade que se prolonga há mais de 40 anos de modo intocável. Não resistimos a perguntar onde o poderíamos encontrar a seguir…

“A compor e a cantar. Os palcos para mim são o mais interessante, completo-me quando entro em contacto com o público. É aqui que a tudo se concretiza. Onde a canção ganha o seu mais importante significado. E nos últimos anos também me tenho concentrado na narrativa. Fiz um livro de contos, o romance Coração Mais que Perfeito e o último romance, Estocolmo.”

Sérgio Godinho já partilhou os palcos e estúdios com diversos artistas, em 2003 grava um álbum com duetos. Gabriel, o Pensador, Camané, Da Weasel, Jorge Palma, Carlos do Carmo, Teresa Salgueiro e Clã são apenas alguns dos nomes que podemos ouvir a cantar com Godinho. “Estive há pouco tempo com Jorge Palma nos Coliseus, cantar com outros artistas acaba por ser mais do que um dueto, é uma partilha, uma “interação”.

Claro que, dadas as circunstâncias, não poderíamos deixar de perguntar onde estava no 25 de abril de 74, ao que Sérgio Godinho nos convida a uma pequena viagem pela época em que vivia em Vancouver: “Estava há 9 anos fora, a comunicação era escassa, sabia do 16 de março* e sabia de outras tentativas de revolução mas estava muito longe a viver no Canadá com a mãe da minha filha mais velha, em frente ao oceano Pacífico … estava eu “pacífico” e vim para a balbúrdia no princípio de maio. Já tinha a viagem programada e estive cá 15 dias muito emocionantes com um grupo de teatro, a minha filha Joana nasce em julho desse ano e voltei definitivamente em setembro. Este é o meu país.”

Estava dado o mote para aquela que seria uma grande noite de comemorações.

O espetáculo teve início com a projeção de um vídeo com testemunhos de alguns dos resistentes antifascistas do concelho acompanhado ao vivo pela Banda dos Bombeiros Voluntários do Zambujal e da Banda Recreativa de Bucelas, interpretando a Marcha do MFA.

O cartaz contou ainda com Rita Redshoes e o maestro António Saiote, natural de Loures e resistente antifascista.

No final, o executivo municipal e todos os músicos e participantes no espetáculo subiram ao palco para acompanhar o coro do Conservatório de Artes de Loures, na interpretação daquele que é considerado por muitos, o hino do 25 de abril – Grândola, Vila Morena, de Zeca Afonso.

“Nos últimos anos este é claramente o melhor programa e nem podia ser de outra maneira, porque no ano que fazemos 45 anos tinha de ser melhor do que no ano passado”, ressalvou Paulo Piteira, vice-presidente da Câmara Municipal de Loures.

Foi também inaugurado pela autarquia, junto ao Parque da Cidade de Loures, um monumento evocativo dos 45 anos do 25 de Abril de 1974, da autoria do escultor José Aurélio.

“Um espetáculo único, produzido especialmente para o Município de Loures e para estes 45 anos do 25 de Abril, que não se repetirá, e ficará registado na memória de todos nós que aqui estamos hoje”, referiu ainda antes do espetáculo Bernardino Soares, presidente da Câmara Municipal de Loures.

*referência ao Levantamento das Caldas - uma tentativa de golpe de Estado frustrada, ocorrida em 16 de Março de 1974.

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