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João Alexandre – Músico e Autor
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Matt Berninger Serpentine Prison

7 de novembro de 2020
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Após alguns ameaços, avanços e recuos, Matt Berninger havia já prometido disco em nome próprio e depois de uma longa e marcante discografia com os The National, o seu vocalista, editou finalmente no passado mês de outubro, o seu primeiro álbum a solo "Serpentine Prison", via Book's Records, em conjunto com a Concord Records. A produção ficou a cargo de Booker T. Jones, multi-instrumentista de Memphis, responsável pelas teclas, fundamentais na discografia dos Booker T. & The MG’s.

“Serpentine Prison” conta com as participações de Matt Barrick (The Walkmen, Jonathan Fire*Eater), Andrew Bird, Mike Brewer, Hayden Desser, Scott Devendorf (The National), Gail Ann Dorsey (David Bowie, Lenny Kravitz), Booker T. Jones, Teddy Jones, Brent Knopf (EL VY, Menomena), Ben Lanz (The National, Beirut), Walter Martin (The Walkmen, Jonathan Fire Eater), Sean O'Brien, Mickey Raphael (Willie Nelson, Bob Dylan), Kyle Resnick (The National, Beirut), etc.

Um elenco de luxo do qual Matt Berninger nunca abdicaria, na sua discreta mas percetível eloquência.

Com uma voz tão marcante de barítono como a de Berninger é difícil afastarmo-nos da ligação umbilical aos The National.

“Serpentine Prison” remete para os primeiros trabalhos da banda, com dose extra de intimidade e a diversidade que o rico elenco possibilita.

Sobre o novo disco, Matt Berninger refere que foi escrito em ezembro de 2018, uma semana após as gravações do álbum “I am easy to find” dos National.

Durante muito tempo Berninger escreveu canções para filmes e musicais, assumindo papéis e sentimentos de terceiros, mas naquele momento percebeu … “I was ready to dig back into my own garbage”.

“Silver springs” com voz de Gail Ann Dorsey num ambiente folk bluesy e direito a harmónica e as canções sobre relações falhadas como “One more second”, depressão “Oh Dearie” e isolamento “Take me out of town” são pontos muito fortes do álbum que a tal diversidade não deixa resvalar para patamar inferior nos restantes temas, com um protagonismo compreensível das teclas tocadas pelo músico e produtor Booker T Jones.
Influencer que é e sabe ser no meio musical alargado ao mainstream, Matt Berninger não desperdiça oportunidades para deixar claras as suas posições e foi na sequência do lançamento do álbum que o artista revelou ao semanário Expresso:

“Vai ser necessário reinventar o país, depois dos quatro anos no poder de um criminoso patético e transparentemente maligno”. A partir de Venice, Los Angeles, o presente não é propriamente animador mas Berninger confia que o futuro não há-de ser irremediavelmente negro.

“Isto, por aqui, está muito mal. A Califórnia é o estado com maior número de casos. E estamos, praticamente, em lockdown. Não estamos em quarentena todo o tempo, mas usamos sempre máscara. E não há propriamente grande atividade.”

Isto está muito mau em todo o lado dizemos nós e “Serpentine prison” é, provavelmente, uma boa companhia para queimar tempo num domingo de confinamento.
É aproveitar!

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