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Realizou-se, no passado dia 17 de março, em Londres, o 15.º Simpósio da Paz.

Um apelo à Paz

10 de abril de 2018
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Realizou-se, no passado dia 17 de março, em Londres, o 15.º Simpósio da Paz, realizado pela Comunidade Islâmica Ahmadia, no Reino Unido, onde se abordaram, entre outros, os temas das forças motrizes da radicalização e a rejeição de todas as formas de extremismo, perante uma audiência de 900 convidados oriundos de 31 países, sendo um deles Portugal.

A Comunidade Islâmica Ahmadia está presente em Portugal, no concelho de Loures, regendo-se pela premissa de “amor para todos, ódio para ninguém” e visa fomentando a participação de Portugal, bem como de outros países, em eventos internacionais que procurem a cooperação.

A cerimónia pretendeu promover uma compreensão mais profunda sobre o Islão e sobre outras religiões, no sentido de inspirar a que se desenvolva um esforço concertado para a paz duradoura.

O evento, subordinado este ano ao tema dos “fundamentos para estabelecer a paz duradora”, decorreu na Mesquita Baitul Futuh e contou com 570 convidados externos à Comunidade, de entre eles ministros, embaixadores, deputados e jornalistas, assim como com Sua Santidade, assim é designado Hadrat Mirza Masroor Ahmad, o Chefe Supremo e o Quinto Califa da Comunidade Islâmica Ahmadia internacional.

Durante o Simpósio que teve como objetivo promover a paz, as atenções concentraram-se no discurso do Califa, o principal orador, que crê “ter chegado o momento de deixar de culpabilizar os muçulmanos pelos problemas do mundo”.

Os voluntários da Comunidade fizeram questão de receber muito bem os convidados, revelando uma excelente capacidade de organização. Pessoas com ideologias ou religiões diferentes puderam sentar-se à mesma mesa e partilharem os mesmos locais como se todos fossem iguais. As conversas revelaram interesse e respeito pelos outros, numa atitude afável e promotora do entendimento.

Esta Comunidade comprova que não podemos julgar todos os muçulmanos pela mesma medida, uma vez que só uma pequena parte, quando comparada com o número total de muçulmanos existentes à face da terra, causa distúrbios que, por serem tão graves e inaceitáveis, se parecem alastrar a todos. No entanto, a sua maioria vive pacificamente, condena a violência e também sofre atentados por parte de grupos extremistas.

Foi por este motivo que, o Chefe Supremo foi um apelo aos governos e aos líderes mundiais para que “mudem as suas prioridades” e ajudem a aliviar o sofrimento das pessoas nos países em vias de desenvolvimento, enaltecendo quem desenvolve atividades neste sentido.

Prémio para a Promoção da Paz 2018

Durante o evento, foi atribuído o Prémio anual da Comunidade Islâmica Ahmadia para a Promoção da Paz a Leonid Roshal, renomado pediatra russo e presidente do Fundo de Caridade Internacional para Ajudar Crianças em Desastres de Guerra, como reconhecimento pela importância dos seus serviços médicos e humanitários em prol da paz e das crianças. Não tendo conseguido comparecer mas, não deixando de enviar um vídeo com a sua mensagem, o prémio ficou nas mãos da sua representante Angelina Alekseeva.

As armas e a origem da radicalização

Califa condenou o comércio internacional de armas, referindo que os países que as produzem para atacar outros têm “sangue nas mãos”, não distinguindo os inocentes dos culpados e, explicou porque as crianças nascidas em zonas de conflito são alvos fáceis e vulneráveis para quem recruta terroristas, apontando a desigualdade, a pobreza extrema, o tráfico de armas e as políticas externas injustas como as forças motrizes da radicalização, a par da iliteracia, da revolta criada pela violência direta e assistida à família e a reiterada lavagem cerebral. Salientou que devemos deixar um legado de amor e compaixão às gerações futuras em vez de sermos consumidos pelo materialismo e pelo poder.

A ameaça dos nacionalistas de extrema-direita

Califa falou, também, dos perigos do extremismo existente entre muçulmanos e da crescente ameaça dos nacionalistas de extrema-direita, que “evoca memórias dos dias negros do passado”, rejeitando as alegações de que os ensinamentos islâmicos promovem qualquer forma de terrorismo ou extremismo e, afirmando que os conflitos de hoje são “geopolíticos” e não estão ligados à religião, apelando ao papel da comunicação social na divulgação de injustiças.

Conferência particular

No dia que se segue ao evento, o Califa fez questão de receber os convidados no local onde mora, dando lugar a uma conversa mais individual e reservada, dividida em grupos.
Quando questionado em relação à forma como a religião, que significa amor, pode ser utilizada para fazer a guerra, não hesitou em dizer que esta não pode ser outra coisa além de amor, respeito e conciliação e que devem banir-se ou deixar de parte os elementos que a destruam.

Quando lhe perguntamos de que forma considerava que devíamos tratar as outras espécies que connosco convivem neste planeta, uma vez que só foi mencionada a preocupação pela proteção do ser humano e do ambiente, no que diz respeito, essencialmente, às alterações climáticas, alastrou aos mesmos a condenação que faz aos atos cruéis e de violência, referindo que os outros animais não devem estar excluídos do cuidado que devemos ter com o planeta.

Joana Leitão e Pedro Santos Pereira

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