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Notícias | Atualidade

"As moradias com vista para o Papa que ninguém abençoa"

Bairro da Petrogal

6 de setembro de 2021
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Era assim o título do artigo do Expresso que dava conta do conflito entre autarquia e moradores do Bairro da Petrogal que se opõem à conversão do antigo bairro operário de Loures em casas de luxo.

Loures, vai avançar, ainda que continue a não reunir consensos. As 88 novas moradias ainda não saíram do papel, mas já estão hipervalorizadas – também pela chegada das Jornadas Mundiais da Juventude em 2023 e pela visita do Papa Francisco – e podem vir a valer meio milhão de euros. Este antigo bairro, tal como explica o jornal Expresso, que avança a notícia, foi inaugurado na década de 1940 para alojar os trabalhadores da refinaria de petróleo da Sacor (depois Petrogal, hoje Galp), sendo constituído por habitações, um hospital, igreja, zonas de lazer e também uma mata e uma várzea – onde devem nascer estas novas casas.

Trata-se de um projeto que não reúne consensos, nem no próprio município. “Ter que emitir uma licença para algo que sempre votámos contra é das situações mais difíceis deste mandato”, lamenta ao jornal o vereador do urbanismo, Tiago Matias (CDU), que garante que essa aprovação foi um pró-forma, forçada por um plano de pormenor de 2008, data em que era o PS quem governava a autarquia. De acordo com a publicação, que visitou o local, há também espalhados pelo local vários desenhos de protesto contra a obra. Quem lá vive, segundo escreve o Expresso, além de queixar-se da quantidade de novas famílias que ali vão chegar, salienta os danos ecológicos que a construção vai causar, uma vez que estará assente em zonas verdes. Cristina Mendes é uma das vozes ativas do grupo de cidadãos que não está de acordo com a obra e que olha para o bairro como um monumento histórico. “A várzea é a sua trave-mestra. Ao construirmos na várzea, deitamos abaixo a trave-mestra do monumento”, diz.

Tiago Matias refere, também, que a autarquia está de “mãos atadas”, isto porque se o município bloqueasse a urbanização, teria de indemnizar o urbanizador em cerca de oito milhões de euros. Por seu lado, o promotor José Chung (HCI Construções) garante que a “construção das moradias vai ser gradual” e que a segurança ecológica está assegurada. “Não tenho dúvidas de que daqui a cinco anos, todos vão achar o bairro melhor”.

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