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João Alexandre – Músico e Autor
João Alexandre
Músico e Autor

Ninho de Cucos

Placebo

1 de novembro de 2014
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O regresso a Portugal.

É já nos próximos dias 3 e 4, respectivamente no Porto e em Lisboa, que os Placebo regressam a Portugal para dois concertos. 17 anos depois da sua primeira apresentação em Portugal, na altura no auditório da Antena 3 (ainda nas Amoreiras), para promoção do homónimo álbum de estreia, perante uns 100 felizardos, os Placebo estão de volta para, com certeza, revisitar os destaques da sua carreira de sete álbuns, recheada de momentos altos e de alguns apagões.

Os Placebo, formados em 1994 em Londres, foram descritos inicialmente como uma versão glam dos Nirvana devido ao seu som cru, um mix de prog tock dos anos 70 com secções rítmicas punk e à sua propensão estética andrógina, sobretudo do vocalista e guitarrista Brian Molko, com a temática das letras muitas vezes à volta da sexualidade dúbia. O álbum estreia foi um sucesso inesperado no Reino Unido, onde singles como "Nancy Boy" e "Teenage Angst" se torna- ram êxitos de top.

Fruto da sua excentricidade Brian Molko tornou-se alvo da imprensa especializada, alimentando histórias infindáveis de tricas e mexericos, muitas vezes alimentadas pelo próprio. A banda abriu concertos para os reunidos Sex Pistols e U2. Pouco tempo depois Brian Molko, o baixista sueco Stefan Olsdal, já com o novo baterista Hewitt (aliás um regresso à formação inicial) foram convidados por David Bowie, um fã da banda e simultaneamente influência no som dos Placebo, para tocar na comemoração do seu 50o aniversário, no Madison Square Garden, em Nova Iorque.

O 2o álbum “Without you i’m nothing” conseguiu de novo vendas impressionantes no Reino Unido e ameaçou nos Estados Unidos, sobretudo através do acutilante “Pure morning”, utilizado em diversas campanhas publicitárias e do seu videoclip de arrasador suspense em slow motion. No entanto por terras americanas os resultados terão ficado aquém das expectativas, apesar de todo o apoio e participações de David Bowie em gravações e concertos. Black Market Music, o 3o álbum de originais, adicionou elementos hip-hop e disco ao rock tenso da banda.

O álbum foi lançado na Europa em 2000 e meses mais tarde na América, neste caso incluindo o tema “Without you i’m nothing” em dueto com David Bowie e o cover dos Depeche Mode "I Feel You ". Na Primavera de 2003 é lançado “Sleeping with Ghosts” e apesar de vendas de milhão e meio de cd’s em todo o mundo, é neste momento que os Placebo começam a perder a influência anterior no que respeita à música indie, aos concertos em festivais e às páginas de jornais e revistas de música. Talvez a forma como construíram a carreira muito baseada em fait divers, a tal tenha conduzido. É tempo de rentabilizar com um best of do material editado até então.

“Meds” em 2006, era mais um balão de oxigénio para os Placebo mas o fervor e a dimen- são de outrora estava difícil de agarrar. “Battle for the Sun” o sexto álbum, coincide com a saída do baterista Hewitt e a rescisão com a editora de longa data EMI / Virgin. Com o novo baterista Steve Forrest, a banda gravou e lançou este trabalho produzi- do pelo vencedor do Grammy, David Bottrill (produtor de artistas como dEUS, Silverchair, Muse) durante o verão de 2009. Uma longa tournée e um álbum ao vivo se seguiram. No ano passado foi lançado “Loud like Love”, o sétimo e último trabalho dos Placebo até à data.

Apelativo à nostalgia da base de fãs do grupo, com a voz de Molko em pitch bem alto e letras angustiantes de relatos de juventude alienada são os ingredientes para a (re)conquista do objectivo. Os destaques vão para a balada poderosa “Hold on to me”, o muito forte e candidato a clássico “Too many friends” e o som jangly à la R.E.M de “Loud Like Love”. É uma excelente oportunidade para ver ou rever os Placebo, de regresso a Portugal e aos Coliseus de Porto e Lisboa a 3 e 4 de Novembro, respetiva- mente, uma banda que merece crédito pela colecção de canções capazes de manter um concerto sempre em alta.

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