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Notícias | Saúde

O álcool tem estado presente ao longo de vários séculos

O Álcool e a Saúde

6 de janeiro de 2019
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O seu uso apresentava aspetos positivos, mas com a evolução da ciência e terapêutica, passaram a ser mais evidentes os malefícios do seu consumo excessivo e do risco do álcool.

O álcool é produzido através da fermentação de açúcares e rapidamente absorvido pelo trato gastrointestinal, cujo efeito é influenciado pelo peso corporal e sexo. No cérebro, o consumo de álcool tem efeitos que vão desde uma sensação de descontração e de bem-estar até à confusão, ao coma e mesmo à morte, dependendo da quantidade consumida. O consumo crónico pode ter efeitos deletérios, sobretudo no cérebro, no coração e no fígado, local onde o álcool é eliminado do corpo. O álcool é a terceira causa mais importante de doença e de morte prematura a nível mundial. Na Europa é também o terceiro principal fator de risco de morte ou doença, incluindo cancros, doenças cardíacas, cerebrais e do fígado. É também responsável pelo aumento dos níveis de criminalidade, violência doméstica e acidentes de viação.

O alcoolismo caracteriza-se não só por um consumo de álcool em demasia, mas também pelos efeitos negativos do seu consumo na vida da pessoa e daqueles que a rodeiam. Em adultos, o consumo máximo recomendado é de uma bebida diária para as mulheres e de duas bebidas diárias para os homens, em copos padrão (equivalente a 10 a 20 gramas de álcool por dia). Os copos padrão são 20 cL de cerveja, 10 cL vinho ou 3 cL de uma bebida branca. Podem ser sinais de abuso do álcool: já ter sentido necessidade de diminuir a quantidade de bebidas alcoólicas que se consome; já ter sido criticado por consumir álcool em excesso; já se ter sentido culpado por consumir álcool em excesso; e beber álcool logo de manhã “para acordar”.

Embora as bebidas alcoólicas tenham diferentes graduações, os copos habitualmente mais usados para cada uma das diferentes bebidas têm também diferentes volumes, podendo por isso ter quantidades idênticas de álcool. Por norma, uma unidade bebida padrão corresponde a 10 gramas de álcool puro.

O consumo excessivo ocasional, por exemplo beber muito numa saída à noite – binge drinking, consumo de fim de semana –, definido por cinco ou mais bebidas nas mulheres e seis ou mais bebidas nos homens numa só ocasião, também tem consequências negativas, mesmo em pessoas que não bebem regularmente. Este tipo de consumo de álcool tem frequentemente o objetivo de atingir a embriaguez. Apesar da maior parte das pessoas estar sensibilizada para os problemas do consumo excessivo regular de álcool, o consumo excessivo ocasional é um problema emergente que convém salientar, em particular nas camadas mais jovens. A personalidade e certos comportamentos no início da adolescência, como o comportamento antissocial, ansiedade, défice de autocontrolo, tendência para situações de risco, depressão e timidez, são muitas vezes fatores preditivos para o consumo de álcool. De realçar, que a embriaguez precoce pode aumentar o risco de experimentação de uma outra droga e passagem para a dependência do álcool.

Algumas pessoas, por exemplo grávidas, adolescentes abaixo dos 18 anos e pessoas com doenças específicas, não devem consumir qualquer quantidade de álcool. Para além de outros efeitos negativos, o álcool interfere com o desenvolvimento cerebral do feto e das crianças.

Existem alguns mitos relacionados com o álcool que não correspondem à verdade:

  • O álcool aquece? Não. Pelo contrário, o álcool provoca a perda de calor pelo corpo;
  • O álcool mata a sede? Não. Pelo contrário, o álcool promove a perda de água pelo corpo e a desidratação;
  • O álcool alimenta? Não. Apesar de ter calorias e de engordar, as bebidas alcoólicas não fornecem os restantes elementos da dieta necessários para o corpo;
  • O álcool dá força? Não. O álcool diminui a sensação de cansaço devido ao seu efeito sedativo;
  • O álcool trata? Não. O álcool não trata nem cura nenhuma doença.

 Apesar do consumo de álcool ser agradável e socialmente aceite, o abuso de álcool é um problema da sociedade atual e com graves consequências a curto, médio e longo prazo. Aconselha-se um consumo moderado, principalmente em épocas festivas, durante as quais os abusos são mais frequentes.

Beba com moderação, não é preciso ter uma bebida sempre à mão!

 Unidade de Saúde Pública Loures Odivelas

Elvira Martins - Médica de Saúde Pública, Coordenadora

António Hermenegildo, Davide Fraga, Helena Paixão, João Pinho, Maria Isabel Silva, Patrícia Cortes - Médicos Internos do Ano Comum

 

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