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Notícias | Educação

Recurso à tecnologia permite que os alunos não “percam o comboio"

Escolas da Portela apoiam alunos doentes

3 de novembro de 2019
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Agrupamento integra projeto com 20 anos e que cria sala de aula no hospital.

O Agrupamento de Escolas da Portela e Moscavide é um exemplo no apoio a alunos com doenças que os impossibilitem de marcar presença física nas salas de aula, permitindo que fiquem a par da matéria e continuem a socializar com professores e colegas.

São duas as vertentes em que estas escolas prestam apoio aos alunos com doenças graves. Uma delas liga a escola aos alunos através da tecnologia. “No Agrupamento de Escolas da Portela e Moscavide, temos a valência de proporcionar aos alunos aulas de apoio com os seus professores ou com outros docentes da escola”, conta Alexandra Simões, professora e subdiretora do agrupamento.

“Já tivemos alunos doentes que tinham aulas de apoio semanais com os professores da turma”, aponta a professora, que também esteve três anos destacada no Hospital de Santa Maria, em Lisboa. “Em média, são dois tempos semanais, em que, via videoconferência, num normal ‘hangout’ do Gmail, o professor dá a aula, distribui e recebe trabalhos de casa, de forma a que, independentemente da doença, a escola não seja esquecida”, diz.

“Normalmente, uma das grandes preocupações destes alunos é a ausência da escola e nós entendemos que temos de ajudar a colmatar essas preocupações”, refere Alexandra Simões. “Já tivemos três ou quatro casos no agrupamento e recorremos a este sistema, que tem funcionado muito bem”, aponta.

Alguns professores abrem a sala de aula aos alunos via videoconferência, outros preferem não o fazer e, nesses casos, opta-se pelo apoio individual. “Por vezes, é o próprio aluno que prefere não se expor, sobretudo quando se tratam de problemas oncológicos”, refere Alexandra Simões. “Até agora, todos os alunos têm conseguido recuperar, passar de ano e, por isso, penso que podemos dizer que é um sucesso”, defende.

A escola no hospital A segunda vertente de apoio aos alunos foi criada no ano da Expo e teve origem na tutela, contando igualmente com a participação das escolas da Portela. O projeto TeleAula começa no Hospital Dona Estefânia, para dar apoio a um aluno específico. Em 1999, é alargado ao IPO e, em 2002, ao Hospital de Santa Maria. Existe uma plataforma do Ministério da Educação onde os hospitais pedem nominalmente os professores, que são, posteriormente, colocados por mobilidade estatutária.

O Ministério gere e coloca os professores. Sara Costa, professora do Agrupamento de Escolas de Portela e Moscavide colocada no Hospital de Santa Maria é um dos oito docentes no projeto. “Na minha escola, sou professora de Matemática e Ciências, no hospital sou professora de tudo e dou apoio no que for necessário”, conta.

“Quando os alunos estão internados, é mais difícil fazer a ligação à escola, quer pelas más condições técnicas, quer pelos ritmos dos alunos doentes, quer ainda pelas rotinas do próprio hospital e, nesses casos, temos os professores destacados no local para dar apoio”, explica Sara Costa.

“Queremos que os jovens doentes continuem a ser alunos”, refere a docente. “Por outro lado, a escola faz com que consigam voltar um pouco às rotinas anteriores à doença, dá-lhes um sentimento de pertença e faz que tenham um pouco de vida social, porque é na escola que estão os colegas e os amigos”, sustenta a professora, há 13 anos destacada no Santa Maria. “Quando regressam da doença, é como se nunca tivessem saído, não perdem o comboio”, refere Sara Costa.

“É um trabalho difícil, porque lidamos com a dor, com a tristeza, com a morte, e isso é muito duro, mas também é muito gratificante”, avança. “Ficamos sempre associados ao lado bom do hospital”, destaca.

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