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Notícias | Atualidade

Mais de duas centenas na Portela para debater

‘Amianto na Escola’

6 de outubro de 2019
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A Escola Secundária da Portela acolheu conferência do Movimento Escolas Sem Amianto. Deputados e representantes do BE, CDS-PP, Os Verdes, PAN e PCP debateram a inação dos governos na remoção do amianto da Escola Pública.

Mais de 200 pessoas responderam positivamente ao convite do Movimento Escolas Sem Amianto, do Agrupamento de Escolas da Portela e Moscavide e da associação ambientalista ZERO para assistir à conferência “Amianto na Escola Pública: causas, consequências, soluções”, no passado dia 10 de setembro.

O evento, dividido em dois painéis – um primeiro mais técnico e um segundo mais político – teve como objetivo “alertar para a problemática do amianto nas escolas do concelho de Loures e da área metropolitana de Lisboa, um flagelo que pode provocar doenças gravíssimas e que afeta toda a comunidade escolar, dos alunos aos professores, encarregados de educação e funcionários não docentes”, contou ao NL, André Julião, porta-voz do Movimento Escolas Sem Amianto.

Do primeiro painel, composto por Íria Roriz Madeira, arquiteta e ativista da ZERO, Jorge Santos, químico e professor, e Filipe Antunes, engenheiro do ambiente, foi possível retirar algumas conclusões que muitos desconheciam por completo.

Desde logo, o facto de as fibras do amianto serem tão pequenas que não ficam no aparelho respiratório, atingindo as células e provocando mutações que originam cancros e outras doenças. Proibido em Portugal desde 2005, fruto de uma diretiva europeia criada em 2003, o amianto é um produto de origem natural, uma fibra mineral extraída de rochas, e possui características únicas: é maleável, resistente, isolante, antifúngico e resistente ao fogo.

Características que fizeram com que fosse utilizado em massa durante muitos anos, em particular entre 1940 e 2005. Outra revelação do evento foi que o amianto não está apenas nas telhas de fibrocimento que constam nos relatórios dos delegados de saúde entregues nas escolas. Desde pastilhas de travões para carros, componentes de eletrodomésticos, cortinados, revestimentos, estuques, tintas, chão vinílico, luvas de cozinha, torradeiras, são muitos os materiais que contêm amianto, alguns deles até em percentagem bem maior do que o fibrocimento propriamente dito.

E muitos deles encontram-se em abundância em várias escolas, com especial incidência para o parque escolar de Loures. O amianto pode ser fatal quando inalado continuadamente e chegado aos pulmões. Além disso, as fibras de amianto são tão pequenas que não ficam apenas no aparelho respiratório: chegam às células, originando mutações que provocam células cancerígenas.

Mas, como tem efeitos muito diferidos no tempo, não se sabe exatamente quantas mortes podem ser associadas diretamente à sua inalação. A única solução eficaz para combater o amianto é a sua erradicação total. Uma solução nada fácil, muito menos barata.

Consenso político pela erradicação do amianto das escolas No segundo painel, deputados e representantes de cinco partidos com assento parlamentar debateram o tema. Ana Rita Bessa, do CDS-PP, Joana Mortágua, do Bloco de Esquerda, Nelson Silva, do PAN, Mariana Silva, de Os Verdes, e Pedro Ventura, do PCP chegaram a um consenso: é preciso fazer algo para acelerar a remoção do amianto das escolas de todo o país, até porque a ação dos sucessivos governos até à data foi manifestamente insuficiente neste sentido.

Por outro lado, não existe ainda um calendário com as previsões de remoções do amianto das várias escolas espalhadas pelo país, nomeadamente as do concelho de Loures. Urge um plano de ação estratégico neste sentido.

Importa, por isso, colocar este tema no topo das prioridades do próximo Governo, planeando o investimento, calendarizando-o e elaborando a respetiva cabimentação orçamental.

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